Cognoscente:

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 87) “o ato cognoscente, para Paulo Freire, só poderia ser expressão de um processo de autopercepção do sujeito no mundo em que se encontra. Na verdade, um aperceber-se como alguém que persegue sentidos de uma vida humana mais plena, como alguém que está em busca da realização de sua vocação de ‘ser mais’”.

O papel do sujeito cognoscente na pesquisa é o de um indivíduo ativo e engajado na produção de seu próprio conhecimento, uma visão que desafia a concepção passiva do educando como tábula rasa ou mero receptor. A tese enfatiza que o educando é um investigador crítico, dotado de curiosidade e capacidade de questionar e transformar a realidade. As implicações epistemológicas dessa noção são profundas: o conhecimento não é algo a ser transmitido, mas sim construído ativamente através da interação com o objeto de estudo e da reflexão sobre a própria experiência. Eu, enquanto educadora, atuo como uma instigadora que desafia o educando a produzir sua compreensão em vez de apenas recebê-la.

Essa concepção de sujeito cognoscente direciona a construção de práticas pedagógicas mais efetivas e centradas no educando. Na pesquisa, isso se traduz no uso da RE, onde os educandos manipulam materiais, testam hipóteses e desenvolvem protótipos, tornando a aprendizagem da matemática uma experiência concreta e empoderadora. Ao invés de impor um currículo, a tese busca fazer com que o conhecimento matemático emerja das interações e necessidades dos próprios educandos, valorizando seus saberes de experiência feitos. Essa abordagem estimula a autonomia, o pensamento crítico e a capacidade de autoavaliação, formando indivíduos que não apenas dominam conteúdos, mas que são capazes de investigar, refletir e transformar seu próprio aprendizado e o mundo ao seu redor.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Conhecimento:

Referências utilizadas