Conhecimento:
De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p.101), “o que temos como cultura, como sociedade e como modos de expressão dos sujeitos individuais é o resultado da construção de um conhecimento humano. O conhecimento, como resultado da aprendizagem, não existe no abstrato. Ele só existe ‘aderido’ a pessoas, enquanto significado por sujeitos cognoscentes, ou reconhecido como tal”. Ainda de acordo com os autores, (2019, p.88), “Adquirir conhecimento significa construir percepções, elaborar outros sentidos, situar-se de modo novo diante das coisas e dos outros. Em outros termos, conhecer constitui uma ação de incorporação, da qual resulta necessariamente uma nova ‘performance’ do sujeito aprendente, o que só é possível mediante sua cumplicidade, mediante seu engajamento”.
O
conceito de conhecimento na tese é multifacetado e dinâmico, indo além da
acumulação de informações para se configurar como um processo de construção e
(des)velamento. A pesquisa, inspirada em Freire (2022b), Papert (1980) e Bicudo (2011) enfatiza que
o conhecimento não é um produto acabado a ser transferido, mas sim o resultado
de uma interação dialógica entre o sujeito e o mundo, mediada pela experiência.
Destaca-se a importância dos saberes de experiência feitos que os educandos trazem consigo, provenientes de suas vivências cotidianas, que
são validados e servem como ponto de partida para a formalização do
conhecimento acadêmico. A legitimação desse conhecimento ocorre tanto pela sua
aplicabilidade prática quanto pela sua capacidade de gerar reflexão crítica e
transformação social.
Aprofundando a reflexão, as implicações dessa visão de conhecimento para a formação de indivíduos são vastas: ela visa capacitar educandos mais críticos e autônomos. Ao reconhecer que o conhecimento é construído coletivamente e que suas diversas formas (tácitas, formais, populares) são válidas, a tese propõe uma educação que empodera. Os projetos de RE, ao exigir a aplicação prática de conceitos matemáticos e tecnológicos, permitem que os educandos vejam o saber como uma ferramenta para compreender e transformar o mundo ao seu redor. Isso promove uma postura ativa diante do aprendizado, incentivando a curiosidade epistemológica e a busca incessante por novos entendimentos, resultando em uma formação que transcende a mera acumulação de dados para focar na capacidade de agir e refletir criticamente.
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