Postagens

Mostrando postagens de janeiro, 2025

Tema/ tema gerador:

O conceito de tema e tema gerador na tese é intrinsecamente ligado à pedagogia de Freire (2022b), que preconiza que a educação deve partir da realidade dos educandos para ser significativa e transformadora. Os temas inspiradores que orientam a pesquisa e as temáticas da pesquisa são escolhidos por sua relevância para os educandos da EPJAI, como a energia eólica ou a mão mecânica, que se conectam a questões sociais e ambientais. A tese enfatiza que o conteúdo programático deve emergir em diálogo com os educadores, refletindo os anseios e esperanças dos alunos, em vez de ser imposto de cima para baixo. O tema gerador promove uma aprendizagem autêntica e significativa ao assegurar que o conteúdo seja relevante e contextualizado para a vida dos educandos. Na prática, a tese mostra como os projetos de RE, ao abordarem temas como a construção de casas ou a utilização de materiais recicláveis, se tornam "lócus" para o "des(velamento)" de saberes matemáticos e tecnológicos....

Tecnologia:

Identificamos no Currículo de Referência em Tecnologia e Computação (CIEB), uma distinção sobre “tecnologia” e “tecnologia educacional”: em termos gerais, a tecnologia é uma “produção humana, com o intuito de atender suas necessidades sociais, culturais, econômicas, entre diversas outras, em um dado momento histórico”. Ao tratar das tecnologias educacionais, enfatizam o uso de “recursos tecnológicos para apoiar e aprimorar o ensino e a aprendizagem, promovendo desenvolvimento socioeducativo dos alunos e acesso à informação” (Raabe; Brackmann; Campos, 2018, p.14). Sendo assim, para Magrani (2018, p. 29) “a palavra tecnologia deriva dos vocábulos gregos tekhné (arte, indústria, habilidade) e logos (argumento, discussão, razão). A tecnologia, em sua etimologia, consiste portanto, no conjunto de conhecimentos/saberes, argumentos e razões em torno de uma arte/ofício, ou de um fazer determinado (...) o conjunto dos instrumentos, métodos e técnicas que p...

Tábula rasa:

Segundo Guimarães (2020 p. 239), “o ser humano é um ser eminentemente compreensível , curioso, criativo e sensível, cujo comportamento, se bem entendido, demonstra sentido, racionalidade, lógica, não sendo uma passiva tabula rasa sem curiosidade, sem desejo, sem vontade”. O conceito de tábula rasa, apesar de não ter sido criado por Freire (2022a) se alinha a crítica realizada pelo autor em relação a educação bancária, que concebe o educando como um recipiente vazio a ser preenchido. A tese afirma explicitamente que nossos educandos não são uma tábula rasa, destacando que eles chegam à escola com uma vasta bagagem de saberes de experiência feito, leitura de mundo e histórias de vida.  Desse modo, a superação da concepção de tábula rasa é fundamental para práticas educacionais mais inovadoras e contextualizadas. Na pesquisa, isso se traduz na centralidade do círculo de cultura e da dialogicidade, onde o conhecimento prévio dos educandos da EPJAI é ativamente buscado e integrado às at...

Saber:

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 53), “o saber do educando, a bagagem acumulada pelo transcurso e sua vida social, é a base do conhecimento que é constituído e reconstruído, em que o educando também é educador, sujeito ativo do processo de aprendizagem. O saber popular, o senso comum, são partes integrantes e indissociáveis do aprendizado do saber da ciência e da técnica”. O conceito de saber na tese é tratado de forma plural, abrangendo não apenas o conhecimento formal e acadêmico, mas também os saberes de experiência feitos (Freire, 2022b), construídos na prática comunitária e nas vivências cotidianas dos educandos. A tese afima que o educador deve respeitar os saberes com que os educandos chegam à escola, usando-os como um ponto de partida para o diálogo e a construção de novos conhecimentos. O objetivo é integrar esses diferentes saberes, formalizando os informais e contextualizando os acadêmicos, a fim de promover uma compreensão mais rica e aplicável da realidade....

Palavra geradora:

Ao se referir as palavras geradoras, primeiramente, Freire discute sobre os temas geradores. No prefácio de Pedagogia do Oprimido, o Professor Ernani Maria Fiori, apresenta uma breve discussão acerca da sua compreensão do que são as palavras geradoras. Para ele, “estas palavras são chamadas geradoras porque, através da combinação de seus elementos básicos, propiciam a formação de outras”. (Freire, 2022a, p.14). Segundo Streck, Redin e Zitkoski (2019, p.448), “As palavras são colhidas nas conversas formais e informais, sendo necessária a capacidade especial de pesquisador e de educador que sabe que não sabe e, por isso, ouve e nutre a curiosidade epistemológica”. Guimarães (2020) afirma que as palavras geradoras são expressões retiradas das conversas e convívio familiar dos educandos.  Embora a tese não explore a "palavra geradora" nos mesmos moldes do método de alfabetização de Freire (2022a), o conceito ressoa na escolha e no tratamento de temas inspiradores e palavras-chave...

Mediação:

  De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 306), “Freire destaca, como mediação fundamental do processo educativo, o diálogo através da dinâmica da problematização com amorosidade, da revisão crítica da história, dos limites e das possibilidades do presente em articulação com os desafios do futuro”. O papel da mediação na tese serve como a ponte entre o conhecimento prévio do educando e os conceitos formais. A mediação, conforme a pesquisa, não é uma imposição, mas uma facilitação do aprendizado, onde o educador atua como um guia que instiga e desafia a curiosidade do educando  (Freire, 2022b) . A tese descreve a mediação dialógica como essencial para transformar o conhecimento tácito dos educandos em saber explícito e formalizado, como exemplificado nas discussões sobre geometria e medidas durante a construção dos protótipos. Sendo assim, a mediação contribui para a formação de comunidades de aprendizagem autônomas e colaborativas ao criar um ambiente onde a interação...

Leitura de mundo:

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 285) “ A leitura do mundo e da palavra é, em Freire, direito subjetivo, pois, dominando signos e sentidos, nos humanizamos, acessando mediações de poder e cidadania”. O conceito de leitura de mundo refere-se a compreensão prévia que os educandos têm de sua realidade, moldada por suas experiências e contexto sociocultural (Freire, 2022b). A tese argumenta que essa leitura de mundo deve ser o ponto de partida do processo educativo e precede sempre a leitura da palavra (Freire, 2022b) , o que significa que o educador deve respeitar e dialogar com o saber que os educandos trazem consigo. Ignorar essa leitura seria desrespeitar a dignidade e a autonomia dos educandos, especialmente os da EPJAI, que possuem vastas experiências de vida. Ao contextualizar os saberes matemáticos e tecnológicos nos projetos com a RE, a tese permite que os educandos da EPJAI conectem o abstrato ao concreto, percebendo a matemática em suas atividades cotidianas, com...

Inovação:

A inovação remete a algo novo ou à melhoria de algo que já existe. Pode envolver a aplicação de novas ideias, tecnologias, métodos de produção ou modelos de negócios para gerar valor, resolver problemas ou atender às necessidades da evolução da sociedade. Para Magrani (2018, p. 32), a inovação “não necessariamente deve ser tecnológica. Qualquer processo que culmine na criação de um produto ou na oferta de um serviço, ou mesmo a forma como um produto é oferecido é considerado uma inovação”. A inovação na tese é entendida como a busca e implementação de práticas educacionais que rompem com modelos tradicionais, visando à maior efetividade e contextualização do ensino. Sendo assim, a RE é apresentada como uma estratégia pedagógica inovadora e eficaz  para a EPJAI, capaz de ressignificar e motivar os educandos. A tese em si, ao adotar o formato de cartas pedagógicas, representa uma inovação na escrita acadêmica, buscando humanizar o discurso e fomentar o diálogo. A inovação não é um fi...

Experiência vivida:

Segundo Bicudo (2011), a experiência vivida refere-se às vivências pessoais e subjetivas de um indivíduo ao longo de sua vida. Ela abrange todas as percepções, sensações, emoções, memórias e interações que uma pessoa experimenta e assimila em seu cotidiano. Essas podem ser influenciadas por vários fatores, incluindo o ambiente físico, social, cultural e emocional em que alguém está inserido. A experiência vivida desempenha um papel crucial na formação da identidade de uma pessoa, moldando suas perspectivas, valores e entendimentos do mundo ao seu redor. O conceito de experiência vivida é um pilar metodológico e epistemológico na tese, especialmente sob a perspectiva fenomenológica de Bicudo. Ele se refere à totalidade da vivência dos educandos, incluindo suas emoções, histórias pessoais, contextos sociais e conhecimentos tácitos, que são indissociáveis do processo de aprendizagem. A tese argumenta que a análise fenomenológica é essencial para captar os significados atribuídos pelos e...

Educando:

Para Guimarães (2020, p. 57), os educandos “devem ser tratados como o que de fato são: pessoas inteligentes, curiosas, possuidoras de uma bagagem intelectual e formas pessoais de apreender e interpretar o mundo”. O papel do educando na minha tese é central e radicalmente transformado, saindo da posição de objeto passivo para a de sujeito ativo e protagonista do processo de ensino-aprendizagem. Sendo assim, a tese rejeita a visão de tábula rasa, afirmando que os educandos da EPJAI trazem consigo uma rica leitura de mundo e saberes de experiência feitos (Freire, 2022b). Eles são vistos como seres capazes de intervir na realidade, transformando-a, e a educação deve criar as condições para que exerçam sua autonomia e protagonismo. O relato de Educanda F, que se alegra ao mexer nas coisas sozinha, ilustra essa passagem da passividade à agência, quebrando estereótipos de gênero e fortalecendo a autopercepção. Essa concepção do educando implica a construção de práticas pedagógicas que são...

Educador:

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 176), “ o papel do educador é contribuir com a força da especificidade de sua atuação pedagógica para transformar a escola e que sua formação, além da competência técnica, compreende um aprendizado político, inerente a todas as escolhas e decisões”. O meu papel como educadora na pesquisa é redefinido como uma mediadora e facilitadora do processo de ensino-aprendizagem. Longe de ser uma depositária de conhecimento, tornei-me uma "aventureira responsável" que criou as possibilidades para a produção do saber pelos educandos (Freire, 2022b). A tese destaca qualidades indispensáveis ao educador, como a rigorosidade metódica, a humildade, a escuta atenta e o querer bem aos educandos (Freire, 2022b).  Além disso, o educador, como facilitador, contribui para a formação de indivíduos mais críticos e autônomos ao guiar os educandos no processo de "des(velamento)" dos saberes matemáticos. Isso se dá por meio de perguntas problem...

Diálogo/dialogicidade:

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 140) “através do diálogo podemos olhar o mundo e a nossa existência em sociedade como processo, algo em construção, como realidade inacabada e em constante transformação”. Ainda segundo esses autores, (2019, p.87) “ o diálogo tem um papel fundamental nesse processo de continuidade e de reconstrução exatamente porque, como insiste Freire, ele não opera em termos de transmissão, como se fosse um mecanismo que permitisse passar algo de um para outro. Como modo de realização da educação, o diálogo opera sob a forma mútua de instigação, permitindo que uns se recriem diante de outros”. Guimarães (2020, p. 52), afirma que Freire via no diálogo um “valor pedagógico potencializado pela postura de atenção e aceitação respeitosa e interessada do interlocutor às colocações do ouvinte, o que para ele sempre foi uma forma de aprender mais atrativa, estimulante e produtiva do que a técnica padrão das aulas” tradicionais. A dialogicidade é entendida c...

Curiosidade:

Para Freire (2022b, p. 33), “A curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de algo, como pergunta verbalizada ou não, como procura de esclarecimento, como sinal de atenção que sugere alerta faz parte integrante do fenômeno vital”. Na tese temos uma distinção entre a curiosidade ingênua e a curiosidade epistemológica (Freire, 2022b). A curiosidade ingênua, presente no senso comum, é o ponto de partida que, ao ser estimulada e criticizada, se transforma em uma inquietação metodologicamente rigorosa, essencial para a produção de conhecimento. Na EPJAI, estimular a curiosidade ajuda a romper com a passividade e o desinteresse, transformando o aprendizado em uma aventura criadora. As implicações da curiosidade para a construção de práticas pedagógicas mais efetivas e centradas no estudante são significativas. A pesquisa demonstra que a RE, com seus desafios práticos e a manipulação de materiais concretos, age como um catalisador para a curiosidade dos educan...

Conteúdo/ conteúdo programático:

 Ao realizarmos uma busca na internet sobre o que é conteúdo programático, as buscas remetem a “São os conteúdos contemplados durante as aulas que compõem as diretrizes curriculares e são determinados para o estudo durante o ano” (SAS, 2021). De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 107), o sentido que Freire discute conteúdo é o de “manifestar a indissociabilidade entre pensamento-linguagem referido ao mundo, métodos e conhecimentos a serem apreendidos”.  Em Pedagogia do Oprimido, ao se referir sobre o conteúdo, Freire (2022a, p.115) diz que: O diálogo começa na busca do conteúdo programático. Daí que, para esta concepção como prática da liberdade, a sua dialogicidade comece, não quando o educador-educando se encontra com os educandos-educadores em uma situação pedagógica, mas antes, quando aquele se pergunta em torno do que vai dialogar com estes. Esta inquietação em torno do conteúdo do diálogo é a inquietação em torno do conteúdo programático da educação. ...

Conscientização:

Guimarães (2020, p. 54) afirma que Freire utilizava o termo conscientização referindo-se “ao reconhecimento pessoal do educando como  ser sujeito da  ação, que possui e produz cultura e influi na História, como também da capacidade de obter ciência dos fatores necessários ao processo coletivo do “desenvolvimento nacional’”. Posteriormente, Freire realizou uma releitura e passou a utilizar o termo consciência de classe. A conscientização, conforme Freire (2022b), é o esforço de conhecimento crítico dos obstáculos, um mergulho profundo nas contradições sociais e na capacidade dos sujeitos de agir para transformá-las. Na tese, a conscientização é promovida quando os educandos da EPJAI, por meio da RE, percebem como os saberes matemáticos e tecnológicos podem ser ferramentas para resolver problemas do seu cotidiano, ou quando se dão conta de estereótipos de gênero que limitavam suas ações. É o movimento de passar da curiosidade ingênua para a curiosidade epistemológica, com...

Consciência:

Para Bicudo (2011, p. 31), “Consciência é compreendida como movimento intencional, efetuado pelo corpo-encarnado, ao ir de modo atento em direção ao focado como figura destacada do fundo, totalidade em que sempre estamos com os outros”. A consciência, aqui na tese, não é um estado passivo de percepção, mas uma compreensão crítica da realidade, englobando a consciência do inacabamento (Freie, 2022b) e a consciência crítica (Freire, 2022b). Na pesquisa, isso significa que os educandos da EPJAI são levados a perceber a matemática não como uma disciplina abstrata e distante, mas como algo intrinsecamente presente em suas vidas e em seus contextos. Essa tomada de consciência é um passo para que se reconheçam como sujeitos capazes de compreender e intervir no mundo, superando a passividade imposta por modelos educacionais anteriores. As implicações da consciência para a construção de práticas pedagógicas mais reflexivas e transformadoras são evidentes. A tese promove a consciência ao integra...

Conhecimento:

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p.101), “o que temos como cultura, como sociedade e como modos de expressão dos sujeitos individuais é o resultado da construção de um conhecimento humano. O conhecimento, como resultado da aprendizagem, não existe no abstrato. Ele só existe ‘aderido’ a pessoas, enquanto significado por sujeitos cognoscentes, ou reconhecido como tal”. Ainda de acordo com os autores, (2019, p.88), “Adquirir conhecimento significa construir percepções, elaborar outros sentidos, situar-se de modo novo diante das coisas e dos outros. Em outros termos, conhecer constitui uma ação de incorporação, da qual resulta necessariamente uma nova ‘performance’ do sujeito aprendente, o que só é possível mediante sua cumplicidade, mediante seu engajamento”. O conceito de conhecimento na tese é multifacetado e dinâmico, indo além da acumulação de informações para se configurar como um processo de construção e (des)velamento. A pesquisa, inspirada em Freire (2022b), Papert ...

Cognoscente:

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 87) “o ato cognoscente, para Paulo Freire, só poderia ser expressão de um processo de autopercepção do sujeito no mundo em que se encontra. Na verdade, um aperceber-se como alguém que persegue sentidos de uma vida humana mais plena, como alguém que está em busca da realização de sua vocação de ‘ser mais’”. O papel do sujeito cognoscente na pesquisa é o de um indivíduo ativo e engajado na produção de seu próprio conhecimento, uma visão que desafia a concepção passiva do educando como tábula rasa ou mero receptor. A tese enfatiza que o educando é um investigador crítico, dotado de curiosidade e capacidade de questionar e transformar a realidade. As implicações epistemológicas dessa noção são profundas: o conhecimento não é algo a ser transmitido, mas sim construído ativamente através da interação com o objeto de estudo e da reflexão sobre a própria experiência. Eu, enquanto educadora, atuo como uma instigadora que desafia o educando a prod...

Círculo de cultura:

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 81) “O círculo de cultura dispõe as pessoas ao redor de uma “roda de pessoas”, em que visivelmente ninguém ocupa um lugar proeminente”. Além disso, “no círculo de cultura, o diálogo deixa de ser uma simples metodologia ou uma técnica de ação grupal e passa a ser a própria diretriz de uma experiência didática centrada no suposto de que aprender é aprender a ‘dizer sua palavra”. Desse modo, ao dizer círculo de cultura, estamos nos referindo aos encontros que tivemos em sala de aula. O conceito de círculo de cultura é um pilar metodológico na tese, configurando-se como o espaço físico e simbólico onde as práticas educacionais acontecem, pautadas pela inclusão e contextualização. Baseado na proposta de Freire (2022b), o círculo de cultura é um ambiente de troca de saberes e construção coletiva do conhecimento, no qual a leitura de mundo dos educandos é o ponto de partida. Na pesquisa, ele se manifesta nas interações com os educandos da EPJ...

Cartas pedagógicas:

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 75), “referir-se as cartas pedagógicas implica referir-se ao diálogo, um diálogo que assume o caráter do rigor, na medida em que registra de modo ordenado a reflexão e o pensamento; um diálogo que exercita a amorosidade, pois só escrevemos cartas para quem, de alguma forma, nos afeta, nos toca emotivamente, cria vínculos de compromisso”. O papel das cartas pedagógicas na pesquisa é fundamental e multifacetado, servindo como uma ferramenta inovadora de ensino, comunicação e reflexão. A minha tese é estruturada nesse formato, inspirado por Freire (2022c), demonstrando uma ruptura com o modelo acadêmico tradicional. Essas cartas permitiram-me dialogar diretamente com diferentes públicos – minha filha, a comunidade acadêmica, os educandos, meus mestres, entre outros – de maneira personalizada e humanizada, promovendo uma comunicação mais íntima e engajadora. Ao compartilhar minhas reflexões, dilemas e aprendizados, a tese estimula a intros...

Boniteza:

“A palavra  boniteza  reúne nela mesma compreensões além do bonito, da beleza e da ética, carrega signos, significados, significações, contemplação, compaixão, desopressão, interesses legítimos, precisão (no sentido de carência), para plenificar-se no templo da grandeza humana, do sublime, do nirvana, do ato de qualificar o que, temporariamente, a história e a ciência permitem criar” (Freire, 2021, p.18). De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 71), “boniteza, faz parte para Paulo Freire, da concepção da vida, bem como amorosidade, bem querer, amizade, utopia, alegria, esperança, estética e genteidade. A vida há que ser bonita, não só a vida do indivíduo, mas a realização de um povo”. Guimarães (2020, p.61) afirma “a ‘boniteza’, é eminentemente pedagógica, envolvendo a consciência subjetiva da emoção, da intuição e da compreensão simbólica, em que a relação estética permite uma preensão da vida em um nível acima do da análise discursiva, ou melhor, preenchendo um espa...

Autonomia:

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p.61), “autonomia é um processo de decisão e de humanização que vamos construindo historicamente, a partir de variadas e inúmeras decisões que vamos tomando ao longo de nossa existência”. O conceito de autonomia é uma das principais palavras da minha tese, profundamente enraizado na obra de Freire (20222b), que dá nome ao referencial teórico principal. Na tese, autonomia é entendida não como um estado dado, mas como um processo contínuo de construção do ser, que se manifesta na capacidade do educando de tomar decisões, assumir responsabilidades e refletir criticamente sobre sua prática e seu mundo. Freire enfatiza que “o respeito à autonomia do ser do educando” é um imperativo ético e que a autonomia se constitui na experiência de inúmeras decisões, estimulando a responsabilidade. Na prática da RE com educandos da EPJAI, isso se traduz em criar ambientes onde os educandos não são meros receptores de conhecimento, mas sujeitos ativos que p...

Aprender:

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 52), “O aprender, na concepção freiriana, é um ato dialógico, de ouvir e falar, uma troca, uma relação de amor e reflexão em grupo. Envolve um movimento dinâmico entre pensamento, linguagem e realidade”. Para Freire (2022b, p. 68), “Aprender para nós é construir, reconstruir, constatar par mudar, o que se não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito”. O processo de aprender na tese é concebido como uma construção ativa e dinâmica, distanciando-se radicalmente da ideia de que ensinar não é transferir conhecimento (Freire, 2022b). As perspectivas teóricas de Freire, com seu enfoque na problematização e na construção do saber a partir da leitura de mundo, e de Papert (1980), com o construcionismo e o aprender fazendo, fundamentam essa noção. Complementarmente, a fenomenologia, na perspectiva de Bicudo (2011), enriquece a compreensão do aprender ao valorizar a experiência vivida e a atribuição de significado subjetivo por part...

Amor/amorosidade:

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p.39), “A amorosidade freiriana que  percorre  toda sua obra e sua vida se materializa no afeto como compromisso com o outro, que se faz engravidado da solidariedade e da humildade” . O conceito de amor e amorosidade, conforme explorado em minha tese, transcende o afeto superficial para se tornar um compromisso ético e pedagógico, essencial para a construção de relações significativas. Freire (2022b) sublinha a importância da convivência amorosa e do querer bem aos educandos como fundamentos para uma prática docente autêntica e humanizadora. Essa dimensão afetiva pode estabelecer confiança e segurança no ambiente de aprendizagem, especialmente para os educandos da EPJAI que frequentemente trazem consigo experiências educacionais negativas ou de exclusão. A tese exemplifica isso ao mostrar como a escuta ativa e o respeito às vivências dos educandos, pautados pela amorosidade, podem quebrar resistências e promover um engajamento ge...