Amor/amorosidade:
De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p.39), “A amorosidade freiriana que percorre toda sua obra e sua vida se materializa no afeto como compromisso com o outro, que se faz engravidado da solidariedade e da humildade”.
O
conceito de amor e amorosidade, conforme explorado em minha tese, transcende o
afeto superficial para se tornar um compromisso ético e pedagógico, essencial
para a construção de relações significativas. Freire (2022b) sublinha a
importância da convivência amorosa e do querer bem aos educandos como
fundamentos para uma prática docente autêntica e humanizadora. Essa dimensão
afetiva pode estabelecer confiança e segurança no ambiente de aprendizagem,
especialmente para os educandos da EPJAI que frequentemente trazem consigo
experiências educacionais negativas ou de exclusão. A tese exemplifica isso ao
mostrar como a escuta ativa e o respeito às vivências dos educandos, pautados
pela amorosidade, podem quebrar resistências e promover um engajamento genuíno,
como visto nas interações nos círculos de cultura.
A amorosidade atua como um elemento-chave na promoção de ambientes educativos inclusivos e humanizados, permitindo que a prática pedagógica vá além da mera transmissão de conteúdo para se tornar um espaço de acolhimento e emancipação. Na pesquisa, isso se traduz na minha flexibilidade em adaptar metodologias, valorizar o saber popular e compreender os desafios pessoais dos educandos (como relatado na carta 10, as histórias das educandas B e M). Ao criar um clima de respeito e validação, a amorosidade facilita a quebra de barreiras, como estereótipos de gênero e percepções de incapacidade, empoderando os educandos da EPJAI a se reconhecerem como sujeitos capazes e valorizados, promovendo uma educação que verdadeiramente muda as pessoas.
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