Autonomia:

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p.61), “autonomia é um processo de decisão e de humanização que vamos construindo historicamente, a partir de variadas e inúmeras decisões que vamos tomando ao longo de nossa existência”.

O conceito de autonomia é uma das principais palavras da minha tese, profundamente enraizado na obra de Freire (20222b), que dá nome ao referencial teórico principal. Na tese, autonomia é entendida não como um estado dado, mas como um processo contínuo de construção do ser, que se manifesta na capacidade do educando de tomar decisões, assumir responsabilidades e refletir criticamente sobre sua prática e seu mundo. Freire enfatiza que “o respeito à autonomia do ser do educando” é um imperativo ético e que a autonomia se constitui na experiência de inúmeras decisões, estimulando a responsabilidade. Na prática da RE com educandos da EPJAI, isso se traduz em criar ambientes onde os educandos não são meros receptores de conhecimento, mas sujeitos ativos que planejam, constroem e testam, como demonstrado na auto-organização dos grupos na montagem dos protótipos e na tomada de decisões sobre o design das maquetes. 

Aprofundando um pouco mais, a autonomia é um elemento-chave na promoção de ambientes educativos mais inclusivos e humanizados, pois permite que os educandos superem a passividade imposta pela cultura do silêncio. A tese mostra como a RE, ao oferecer liberdade para experimentação e ao valorizar os saberes de experiência feitos, encoraja o protagonismo discente, transformando a percepção dos educandos sobre suas próprias capacidades. Exemplos, como a Educanda F quebrando estereótipos de gênero ao manusear ferramentas ("mexer nas coisas sozinha"), ou a Educanda M superando a dificuldade em cortar com tesoura, evidenciam a alegria e o empoderamento que surgem da construção autônoma. Essa abordagem, que respeita as escolhas dos educandos, mesmo quando divergem de métodos formais, e os incentiva a verbalizar suas compreensões, fortalece a autoestima, o engajamento e a capacidade crítica, formando indivíduos que se veem como agentes capazes de intervir e transformar sua realidade.

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