Boniteza:

“A palavra boniteza reúne nela mesma compreensões além do bonito, da beleza e da ética, carrega signos, significados, significações, contemplação, compaixão, desopressão, interesses legítimos, precisão (no sentido de carência), para plenificar-se no templo da grandeza humana, do sublime, do nirvana, do ato de qualificar o que, temporariamente, a história e a ciência permitem criar” (Freire, 2021, p.18).

De acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 71), “boniteza, faz parte para Paulo Freire, da concepção da vida, bem como amorosidade, bem querer, amizade, utopia, alegria, esperança, estética e genteidade. A vida há que ser bonita, não só a vida do indivíduo, mas a realização de um povo”. Guimarães (2020, p.61) afirma “a ‘boniteza’, é eminentemente pedagógica, envolvendo a consciência subjetiva da emoção, da intuição e da compreensão simbólica, em que a relação estética permite uma preensão da vida em um nível acima do da análise discursiva, ou melhor, preenchendo um espaço de sensibilização que a razão discursiva não consegue atingir”.

O conceito de boniteza na tese, alinhado ao pensamento freireano, não se restringe à estética superficial, mas se manifesta como uma dimensão ética e vital da prática educativa. Freire conecta boniteza com decência e com a seriedade (Freire, 2022b), sugerindo que a prática docente deve ser um "ensaio estético e ético". Na pesquisa, a boniteza é percebida na minha prática como educadora ao valorizar a curiosidade e o empenho, e na alegria dos educandos em sua jornada de descoberta e superação, transformando o ato de ensinar e aprender em uma experiência prazerosa e significativa. Essa boniteza pode ser promovida em diferentes contextos educacionais ao se criar ambientes que estimulem a criatividade, o respeito mútuo e a celebração das conquistas, por menores que sejam.

 Aprofundando a reflexão, a boniteza contribui para a formação de indivíduos mais sensíveis e criativos ao integrar a dimensão estética ao processo cognitivo e social. Para os educandos da EPJAI, que muitas vezes enfrentam realidades difíceis, a experiência de uma educação "bonita" — que valoriza sua autoria, seu esforço e a relevância de seu trabalho (como os protótipos que construiram durante a pesquisa de campo) — pode ser profundamente motivadora e restauradora. Essa abordagem, que enaltece a alegria de aprender e a satisfação de criar, nutre a autoestima, estimula a sensibilidade para as complexidades do mundo e encoraja a expressão criativa, aspectos fundamentais para uma formação humana integral e para o desenvolvimento de cidadãos que enxerguem o mundo com mais profundidade e esperança.

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