Círculo de cultura:
De
acordo com Streck, Redin e Zitkoski (2019, p. 81) “O círculo de cultura dispõe
as pessoas ao redor de uma “roda de pessoas”, em que visivelmente ninguém ocupa
um lugar proeminente”. Além disso, “no círculo de cultura, o diálogo deixa de
ser uma simples metodologia ou uma técnica de ação grupal e passa a ser a
própria diretriz de uma experiência didática centrada no suposto de que
aprender é aprender a ‘dizer sua palavra”. Desse modo, ao dizer círculo de
cultura, estamos nos referindo aos encontros que tivemos em sala de aula.
O
conceito de círculo de cultura é um pilar metodológico na tese,
configurando-se como o espaço físico e simbólico onde as práticas educacionais
acontecem, pautadas pela inclusão e contextualização. Baseado na proposta de
Freire (2022b), o círculo de cultura é um ambiente de troca de saberes e construção coletiva do conhecimento, no qual a leitura
de mundo dos educandos é o ponto de partida. Na pesquisa, ele se
manifesta nas interações com os educandos da EPJAI, permitindo que suas
experiências de vida e conhecimentos prévios sejam valorizados e integrados ao
processo de aprendizagem da matemática e da RE. Esse formato horizontal de
diálogo, como descreve a tese, é de suma importância para que os educandos, historicamente
marginalizados, sintam-se seguros para expressar suas dúvidas e contribuir
ativamente, combatendo a cultura do silêncio.
Os círculos de cultura contribuem para a formação de comunidades de aprendizagem autônomas e participativas ao fomentar a colaboração, a auto-organização e o protagonismo discente. As atividades realizadas com os protótipos de RE dentro desses círculos incentivam os educandos a tomar decisões, resolver problemas em equipe e compartilhar suas descobertas, transformando-os em agentes ativos de seu próprio aprendizado. A tese destaca como, nesse ambiente, a interação e o respeito mútuo criam um clima propício para o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia intelectual, onde cada voz contribui para a síntese cultural do grupo. Isso não apenas enriquece a compreensão dos conteúdos, mas também fortalece o senso de pertencimento e a capacidade dos educandos de atuar coletivamente na transformação de sua realidade.
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