Conscientização:

Guimarães (2020, p. 54) afirma que Freire utilizava o termo conscientização referindo-se “ao reconhecimento pessoal do educando como ser sujeito da ação, que possui e produz cultura e influi na História, como também da capacidade de obter ciência dos fatores necessários ao processo coletivo do “desenvolvimento nacional’”. Posteriormente, Freire realizou uma releitura e passou a utilizar o termo consciência de classe.

A conscientização, conforme Freire (2022b), é o esforço de conhecimento crítico dos obstáculos, um mergulho profundo nas contradições sociais e na capacidade dos sujeitos de agir para transformá-las. Na tese, a conscientização é promovida quando os educandos da EPJAI, por meio da RE, percebem como os saberes matemáticos e tecnológicos podem ser ferramentas para resolver problemas do seu cotidiano, ou quando se dão conta de estereótipos de gênero que limitavam suas ações. É o movimento de passar da curiosidade ingênua para a curiosidade epistemológica, compreendendo o porquê das coisas e de sua própria condição.

Aprofundando a análise, a conscientização contribui decisivamente para a transformação social e política. A tese demonstra que, ao se engajarem em projetos de RE que utilizam materiais recicláveis, os educandos não só aprendem matemática e robótica, mas também desenvolvem uma consciência ambiental sobre o descarte adequado de lixo eletrônico. Ao se confrontarem com o problema da evasão escolar na EPJAI, por exemplo, eles são incentivados a refletir sobre as causas estruturais e a buscar soluções coletivas. Essa conscientização os empodera a não aceitar passivamente as injustiças, mas a lutar por um mundo mais justo e igualitário tornando-se agentes de mudança em suas comunidades e na sociedade.

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