Diálogo/dialogicidade:
De acordo com Streck, Redin e
Zitkoski (2019, p. 140) “através do diálogo podemos olhar o mundo e a nossa
existência em sociedade como processo, algo em construção, como realidade
inacabada e em constante transformação”. Ainda segundo esses autores, (2019,
p.87) “ o diálogo tem um papel fundamental nesse processo de continuidade e de
reconstrução exatamente porque, como insiste Freire, ele não opera em termos de
transmissão, como se fosse um mecanismo que permitisse passar algo de um para
outro. Como modo de realização da educação, o diálogo opera sob a forma mútua
de instigação, permitindo que uns se recriem diante de outros”. Guimarães
(2020, p. 52), afirma que Freire via no diálogo um “valor pedagógico
potencializado pela postura de atenção e aceitação respeitosa e interessada do
interlocutor às colocações do ouvinte, o que para ele sempre foi uma forma de
aprender mais atrativa, estimulante e produtiva do que a técnica padrão das
aulas” tradicionais.
A dialogicidade é entendida como uma relação horizontal e recíproca entre educador e educando, onde quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender (Freie, 2022b). Essa prática é fundamental para criar ambientes educacionais inclusivos e participativos, nos quais todas as vozes são valorizadas e o saber de experiência dos educandos é respeitado como ponto de partida para a construção de novos conhecimentos. A tese destaca que o diálogo é a ferramenta principal para o "des(velamento)" dos saberes matemáticos, pois permite a problematização da realidade e a reflexão crítica.
Desse modo, a dialogicidade contribui para a formação de comunidades de aprendizagem autônomas e colaborativas. Nos círculos de cultura da pesquisa, o diálogo constante entre educandos e educadora facilitou a auto-organização, a tomada de decisões e a resolução conjunta de problemas durante a construção dos protótipos de RE. Essa interação fomenta a autonomia intelectual, pois os educandos são incentivados a verbalizar suas ideias, questionar e defender suas compreensões, como visto nas discussões sobre medição ou formas geométricas. A dialogicidade não apenas enriquece o aprendizado acadêmico, mas também fortalece as relações interpessoais, desenvolvendo habilidades socioemocionais essenciais para a convivência em sociedade e para a ação coletiva na busca por transformação.
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