Educando:
Para Guimarães (2020, p. 57), os educandos “devem ser tratados como o que de fato são: pessoas inteligentes, curiosas, possuidoras de uma bagagem intelectual e formas pessoais de apreender e interpretar o mundo”.
O papel do educando na minha tese é
central e radicalmente transformado, saindo da posição de objeto passivo para a
de sujeito ativo e protagonista do processo de ensino-aprendizagem. Sendo assim, a tese rejeita a visão de tábula rasa,
afirmando que os educandos da EPJAI trazem consigo uma rica leitura de
mundo e saberes de experiência feitos (Freire, 2022b). Eles são
vistos como seres capazes de intervir na realidade, transformando-a, e a educação deve criar as condições para que exerçam sua autonomia e protagonismo. O relato de
Educanda F, que se alegra ao mexer nas coisas sozinha,
ilustra essa passagem da passividade à agência, quebrando estereótipos de
gênero e fortalecendo a autopercepção.
Essa concepção do educando implica a construção de práticas pedagógicas que são inerentemente inclusivas e participativas. As atividades de RE, com sua abordagem "mão na massa", permitem que os educandos da EPJAI sejam os criadores e solucionadores de problemas, tomando decisões e auto-organizando-se em grupos. Desse modo, o círculo de cultura é o espaço onde o educando exerce sua voz, compartilha suas experiências e contribui para a construção coletiva do conhecimento, transformando a dinâmica da sala de aula. Essa valorização de suas contribuições e a liberdade para explorar e errar não só promovem um engajamento profundo, mas também desenvolvem a autoconfiança e a capacidade de reflexão crítica, essenciais para que se tornem agentes de mudança em suas próprias vidas e em suas comunidades.
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