Tábula rasa:

Segundo Guimarães (2020 p. 239), “o ser humano é um ser eminentemente compreensível, curioso, criativo e sensível, cujo comportamento, se bem entendido, demonstra sentido, racionalidade, lógica, não sendo uma passiva tabula rasa sem curiosidade, sem desejo, sem vontade”.

O conceito de tábula rasa, apesar de não ter sido criado por Freire (2022a) se alinha a crítica realizada pelo autor em relação a educação bancária, que concebe o educando como um recipiente vazio a ser preenchido. A tese afirma explicitamente que nossos educandos não são uma tábula rasa, destacando que eles chegam à escola com uma vasta bagagem de saberes de experiência feito, leitura de mundo e histórias de vida. 

Desse modo, a superação da concepção de tábula rasa é fundamental para práticas educacionais mais inovadoras e contextualizadas. Na pesquisa, isso se traduz na centralidade do círculo de cultura e da dialogicidade, onde o conhecimento prévio dos educandos da EPJAI é ativamente buscado e integrado às atividades de RE. Ao invés de impor um currículo, partir do que os educandos já sabiam, usando isso como alicerce para a problematização e a construção coletiva de novos conceitos. Essa abordagem não apenas torna o processo de ensino-aprendizagem mais relevante e engajador, mas também cultiva uma postura receptiva e aberta à aprendizagem nos educandos, pois eles se sentem valorizados e ativos na coautoria do conhecimento, promovendo a conscientização crítica sobre seu próprio papel como sujeitos de saber.

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